Doenças Psicossomáticas na revista Mistérios da Psiquê

No mês de setembro, tive o prazer de escrever para a revista Mistérios da Psiquê, uma publicação especializada em psicologia pela editora Mythos. O tema dessa vez foram as doenças psicossomáticas, que por meio de sintomas, nos revelam as emoções negativas que tentamos esconder de nós mesmos.

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Toda vez que engolimos o choro ou guardamos um sentimento ruim por muito tempo, entupimos o dúcto por onde passam todas as emoções e o nosso corpo adoece. São gastrites, rinites, sinutites e tantas outras ites que acometem a vida de milhares de pessoas e que possuem em sua origem, uma causa emocional.

Quando guardamos e alimentamos essas emoções negativas, elas se espalham pelo corpo como pequenas porções de veneno que deixamos presas em nós mesmos, nos fazendo adoecer.

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Como já dizia Freud, nada é meramente somático ou meramente mental. Um choro engolido pode desencadear numa dor de barriga de medo ou uma dor de cabeça de raiva, por exemplo. Quando sentimos raiva, o coração dispara e o rosto fica vermelho, o corpo reage numa forma de defesa. No medo, suamos frio, trememos, ficamos paralisados.

Em principio, na nossa condição de mamíferos, somos seres emocionais e por isso, temos que aprender a lidar com as emoções negativas, sentir e deixar fluir, como nos ensinam os orientais.

Por meio da meditação e da yoga, conseguimos transformar esses sentimentos em aprendizado, sem nos apegar a eles e não deixando com que se tornem maiores do que realmente são.

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Os estudos da Psicologia Positiva, desenvolvidos por Barbara Fredrickson, Tal Ben Shahar e Martin Seligman, também apontam alguns caminhos para convivermos de forma mais harmônica e saudável com as dificuldades da vida. Além de lidar e digerir as emoções negativas, a Psicologia Positiva propõe o foco naquilo que funciona, alimentando as emoções positivas por meio de diários de gratidão, relacionamentos positivos, motivação, engajamento, exercícios físicos e descanso.

Dessa forma, adoecemos menos e vivemos mais, com mais qualidade. São hábitos que nos tornam capazes de passar pelos momentos de dor com mais tranquilidade mas não nos tornam imunes a eles. Mesmo que tentemos bloquear nosso corpo de sentir, ele falará por meio de sintomas.

ANSIEDADE | O MAL DO SÉCULO

Recentemente, eu tenho dedicado parte do meu tempo à redação de artigos para revistas que têm foco em psicologia e psiquiatria – e tenho adorado a experiência. É muito bacana poder exercitar a escrita e reunir um pouco dos meus conhecimentos em textos que, depois de serem publicados, rendem reedições mais sucintas para o blog. Este é o caso do postagem de hoje “Ansiedade | O Mal do Século”. O texto foi originalmente escrito para a revista Psicologia. E, aqui, ganhou uma versão mais enxuta sobre o meso tema. Espero que goste!

Repare como as pessoas estão cada dia mais estressadas, correndo sem parar e com um enorme roll de tarefas a ser executado. Até as crianças pequenas entram no frenesi das rotinas multitarefas: aula de inglês, natação, futebol, mandarim, culinária…

Como já comentamos aqui no blog, essa rotina acelerada, sem pausas, é uma das grandes responsáveis pela nossa ansiedade, um mal da evolução em crescimento e destaque na lista dos chamados transtornos modernos.

Há nem tanto tempo assim, tudo era bem diferente. Voltávamos para casa para almoçar, tirar uma ciesta e curtir os filhos para, só então, retornar ao trabalho com tudo devidamente organizado e corpo e mente revigorados. O expediente terminava sempre por volta das 17 ou 18 horas. E era possível ouvir o rádio, ler um livro, jantar em família, dar e receber carinho ou até não fazer nada…

Hoje, a história é outra, um corre-corre sem fim. Falta tempo e sobra ansiedade! Vivemos um estado de alerta constante, “luta ou fuga”, produzindo mais e mais adrenalina, num ciclo inesgotável. Assim, o terreno fica fértil para os vilões de nossa saúde mental: ataques de ansiedade, pânico, depressão, esgotamento mental. Vilões que podem interromper nossas vidas pessoais e profissionais de modo brusco.

Os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) não são animadores. A previsão é que, em 2020, a depressão seja a segunda maior causa de afastamento das pessoas do trabalho no mundo. Hoje, é a quarta – atrás de, em primeiro lugar, doenças cardiovasculares; em segundo, câncer; e em terceiro, acidentes. Ainda na projeção da OMS, a previsão é que, em 2030, a depressão seja a patologia responsável pelo maior número de afastamentos profissionais.

Sabe por quê? Por causa dessa vida corrida… Ninguém para, ninguém descansa, as pessoas se esquecem de respirar.

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Foto: Roberto Benatti | Imagem protegida por direitos autorais

Quando estamos em alerta ou e em busca de algo, como um caçador em busca de sua presa, por exemplo, precisamos usar um neurotransmissor chamado noradrenalina – que, na verdade, deveria ser usado apenas em estados de “luta ou fuga”, como em provas, acidentes e algumas situações de risco ou atenção demasiada. Mas, como entramos nesse sistema de multitarefas, a noradrenalina fica acionada o tempo todo… E o estado de alerta toma conta de dias inteiros.

Ficamos “turbinados” de noradrenalina e viciados nela – o que nos deixa muito mais agitados. Já reparou que, vez ou outra, “apagamos” sem querer ou recorremos às bebidas e outras drogas em busca de um momento mais “relax”? Isso acontece porque não obedecemos nosso próprio corpo.

O que o nosso corpo tem nos mostrado? Sintomas para nos fazer parar: stress, mau humor e ataques de ansiedade que, aliás, podem facilmente nos tirar da linha de batalha.

Então, o que precisamos? Descanso, pausa, respiração, meditação, yoga – práticas que nos ajudam a desativar a noradrenalina e produzir a ocitocina, o hormônio do amor  – capaz de nos deixar mais tranquilos e felizes.

 

COMO CONTROLAR AS EMOÇÕES | MEDITAÇÃO E NEUROCIÊNCIA

Para muitas pessoas, as emoções apenas acontecem. Mas, o que aprendemos com a neurociência é que você pode controlá-las. É isso mesmo! Podemos controlar nossas emoções ativando – por meio da meditação – o freio vagal: o nervo vago que, através do coração, manda suas ondas para o cérebro e avisa que está tudo bem.

Como já falamos algumas vezes aqui no blog, na medida em que você fica habilidoso nas meditações, respirações profundas e apreciações, você passa a se sentir muito melhor – mais confiante, criativosaudável e satisfeito com a vida.Você só precisa aprender como dirigir as ondas que emanam de seu coração e de suas emoções mais profundas, prestando mais atenção em cada sentimento, compreendendo que você está no controle de tudo!

É claro que não podemos evitar sentir raiva, medo ou tristeza, mas podemos controlar bem rápido o que faremos com cada um desses sentimentos. A escolha é sua – digerir, compreender e livrar-se dele ou guardar e ficar remoendo. 

Você pode respirar fundo, apreciar algo bom ou focar em algo dá certo em sua vida e pronto! Seu coração volta ao controle e, aí sim, você pode fazer uma escolha mais saudável com o momento de sofrimento.O grande aprendizado não é deixar de sentir, e sim aprender a lidar com essas emoções da melhor forma.

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Quando sentimos medo, por exemplo, ativamos o Sistema Nervoso Simpático, que é acionado pela noradrenalina no cérebro, que envia sinais pela medula para liberação do cortisol, que por sua vez, libera adrenalina dos gânglios paravertebrais – esses vão liberar a adrenalina nas partes vitais – coração, pulmão, estômago, traqueia, diafragma, intestinos.

O Sistema Nervoso Simpático não é nada simpático! Ele é eletrizante e estressante, isso sim! Ele prepara o corpo para a ação imediata, para aumentar a velocidade e o ritmo cardíaco – como pisar no acelerador do carro. Luta ou fuga! Preparar para o ataque!

Já o Sistema Nervoso Parassimpático faz o contrário, nos calma, pisa no freio do mesmo nervo vago. É o nosso freio vagal. Abaixa o ritmo cardíaco e corta a adrenalina e o cortisol. Quando estamos sobre o efeito do Sistema Nervoso Simpático, ficamos com medo, trêmulos, ansiosos e sem nenhuma reação boa. Mas quando estamos sob o efeito do Parassimpático, nos acalmamos, diminuímos a frequência cardíaca, ficamos mais criativos e mais saudáveis.

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Foto: Roberto Benatti | Imagem protegida por direitos autorais

A meditação, a yoga, a contemplação, o fazer o que se gosta nos traz essa possibilidade de usar o nosso freio vagal. Assim, quando estiver enlouquecido de raiva no trânsito, quando estiver num momento tenso, ou com muita tristeza, pare e respire fundo! Pense em algo bom. Você vai se acalmar daí a pouquinho. Se estiver com seu corpo bem treinado, tudo ficará bem melhor mais rápido e você adoecerá menos!

MENOS É MAIS!

Não dá para negar que na “era da internet” muitas coisas se tornaram mais fáceis. Hoje, temos mais conforto, mais acesso, mais rapidez e podemos estar conectados com pessoas diferentes, em lugares diferentes, ao mesmo tempo. Mas, por outro lado, já estamos sofrendo as consequências de uma vida acelerada, conectada 24 horas por dia – os males do século XXI.

Levamos o trabalho para casa, respondemos e-mails às duas da manhã, corremos contra o tempo – tudo isso, conectados ao Facebook e ao WathsApp ao mesmo tempo. Tornamo-nos multifuncionais, mas estamos EXAUTOS.

Fazemos tantas coisas ao mesmo tempo, sem parar, que estamos entrando em um estado de esgotamento físico e mental. E esse esgotamento tem nome, é a Síndrome de Burnout. Trabalhamos tanto, somos bombardeados por tanta informação, que os nossos neurônios entram numa espécie de “curto circuito”. Assim, acabamos nos tornando menos produtivos, mais estressados, angustiados e desconcentrados. Emburrecemos.

É melhor trabalhar menos tempo, nos dedicar a uma atividade com foco e rendimento, do que gastar horas a fio e contar apenas com alguns momentos de concentração. Definitivamente, MENOS É MAIS! Essa é a premissa do momento!

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Foto: Jô Moreira | Imagem protegida por direitos autorais

É preciso um tempo de recuperação, pois estamos sofrendo de cansaço, Too Busy Disorder! Precisamos fazer pausas entre uma atividade e outra e respirar. Quando entramos nesse rítmo acelerado ficamos exaustos e acabamos não concluindo nossas atividades, porque não conseguimos ser produtivos. Além disso, coisas demais por fazer acabam nos desmotivando e nos deixando cansados demais para sermos criativos e termos bom humor e bem estar.

Como já falamos aqui no blog, a meditação é uma prática que contribui muito nesse processo. Ela nos deixa mais focados, pois aumenta a atividade do córtex pré-frontal esquerdo – responsável pela concentração. Bastam 5 minutos por dia que já sentimos a diferença.

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Precisamos pisar no freio e desacelerar! Parar para respirar fundo, contar até 10 e dividir o nosso tempo: trabalho, lazer, sono, banho…. cada coisa no seu momento e lugar.

Na penúltima edição do jornal O Globo saiu uma matéria super bacana sobre os transtornos modernos. Nela, eu falo justamente sobre esse menos que faz mais. Vale a leitura!

Programa #vidapositiva

Hoje, venho contar para vocês sobre meu mais novo projeto, o programa Vida Positiva, uma pequena onda de positividade no ar!

Trata-se de uma série de pequenos vídeos semanais com dicas e reflexões positivas que podem contribuir e muito para que você tenha uma vida plena e mais feliz.

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A partir dos ensinamentos de grandes mestres da Psicologia Positiva, como Tal Ben-Shahar, Barbara Fredrickson e James Pawelski, proponho a cada semana um tema diferente. São dicas de boas práticas cotidianas que, se reafirmadas na medida certa, podem se transformar em hábitos positivos, capazes de transformar as nossas vidas – para melhor, é claro!

Ao fim de cada programa, apresento uma meditação diferente para praticarmos juntos, encerrando nosso momento com chave de ouro! A ideia é que você incorpore as dicas à sua semana e aos poucos, à sua vida, e assim possa desfrutar das alegrias de uma vida positiva!

Os vídeos são publicados toda terça-feira no meu canal no youtube, no facebook e aqui no site. Fique ligado! O programa de número 3 já está no ar! O tema dessa semana é GRATIDÃO.

E se você perdeu os programas 1 e 2 é só acessar o meu canal no youtube e assistir quantas vezes quiser!

MEDITAÇÃO E LEITURA | dica de férias

Fim de julho, ainda em clima de férias, momento propício para nos dedicar a nós mesmos, abandonar velhos hábitos e iniciar boas práticas para o semestre que vem chegando.

Hoje venho falar sobre duas boas coisas da vida: meditação e leitura, uma combinação perfeita para aproveitar os dias de descanso, em paz e tranquilidade. Práticas que ajudam a organizar as ideias, tranquilizar a mente e acalmar o coração.

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Em primeiro lugar, gostaria de apresentar para vocês a meditação Love Kindness, também conhecida como meditação da compaixão, ou Mettã pelos praticantes do Budismo.

É uma prática simples, que procura cultivar sentimentos de amor incondicional, empatia, bondade e compaixão, não apenas em relação à nós e os outros, mas à todos os seres e situações que compõe a vida.

Na meditação Love Kindness, os praticantes utilizam da projeção de imagens mentais, pensamentos e memórias como ferramentas de cultivo desses sentimentos positivos,  num processo de aprendizado progressivo. “A ideia de cultivar implica que todos temos ´sementes´ ou potenciais para esses estados mentais saudáveis. Portanto, não é preciso cria-los, mas sim nutri-los(…)”

Neste vídeo, eu ensino o passo a passo da meditação Love-Kindness, você pode praticar onde quiser.

A meditação, qualquer que seja seu segmento, é uma prática que nos ajuda a viver em harmonia com o mundo e com nós mesmos, além de proporcionar benefícios para o cérebro e o coração.Para os budistas, por meio da Metta – ou Love Kindness -, geramos uma atitude de abertura, curiosidade e gentileza com a vida.

Para quem se interessa em aprender mais sobre meditação e psicologia positiva, uma boa leitura é sempre bem vinda! No livro “O Salto do Coração”, minha mais recente publicação pela Wak Editora, trago algumas reflexões e práticas sobre o assunto.

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Foto: Jô Moreira | Imagem protegida por direitos autorais

De forma simples e didática, desmistifico a “moda da meditação” e atesto sua efetividade como prática transformadora – uma ciência capaz de melhorar a capacidade de raciocínio e reduzir doenças como estresse e depressão.Reflito sobre a importância de protagonizarmos a nossa própria história, de sermos donos de nosso caminho e capazes de escolher. Sim, viver com alegria, positividade e saúde é uma escolha!

Então, vamos aproveitar as férias para fazer boas escolhas e reciclar as ideias?!

ATENÇÃO!

Clínica Sofia Bauer também está em recesso coletivo para renovar as energias!  A partir do dia 1 de agosto os atendimentos retornam normalmente.

Enquanto isso, seguimos juntos nas redes e aqui no blog, é claro!