Recentemente, eu tenho dedicado parte do meu tempo à redação de artigos para revistas que têm foco em psicologia e psiquiatria – e tenho adorado a experiência. É muito bacana poder exercitar a escrita e reunir um pouco dos meus conhecimentos em textos que, depois de serem publicados, rendem reedições mais sucintas para o blog. Este é o caso do postagem de hoje “Ansiedade | O Mal do Século”. O texto foi originalmente escrito para a revista Psicologia. E, aqui, ganhou uma versão mais enxuta sobre o meso tema. Espero que goste!

Repare como as pessoas estão cada dia mais estressadas, correndo sem parar e com um enorme roll de tarefas a ser executado. Até as crianças pequenas entram no frenesi das rotinas multitarefas: aula de inglês, natação, futebol, mandarim, culinária…

Como já comentamos aqui no blog, essa rotina acelerada, sem pausas, é uma das grandes responsáveis pela nossa ansiedade, um mal da evolução em crescimento e destaque na lista dos chamados transtornos modernos.

Há nem tanto tempo assim, tudo era bem diferente. Voltávamos para casa para almoçar, tirar uma ciesta e curtir os filhos para, só então, retornar ao trabalho com tudo devidamente organizado e corpo e mente revigorados. O expediente terminava sempre por volta das 17 ou 18 horas. E era possível ouvir o rádio, ler um livro, jantar em família, dar e receber carinho ou até não fazer nada…

Hoje, a história é outra, um corre-corre sem fim. Falta tempo e sobra ansiedade! Vivemos um estado de alerta constante, “luta ou fuga”, produzindo mais e mais adrenalina, num ciclo inesgotável. Assim, o terreno fica fértil para os vilões de nossa saúde mental: ataques de ansiedade, pânico, depressão, esgotamento mental. Vilões que podem interromper nossas vidas pessoais e profissionais de modo brusco.

Os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) não são animadores. A previsão é que, em 2020, a depressão seja a segunda maior causa de afastamento das pessoas do trabalho no mundo. Hoje, é a quarta – atrás de, em primeiro lugar, doenças cardiovasculares; em segundo, câncer; e em terceiro, acidentes. Ainda na projeção da OMS, a previsão é que, em 2030, a depressão seja a patologia responsável pelo maior número de afastamentos profissionais.

Sabe por quê? Por causa dessa vida corrida… Ninguém para, ninguém descansa, as pessoas se esquecem de respirar.

kripalu-38

Foto: Roberto Benatti | Imagem protegida por direitos autorais

Quando estamos em alerta ou e em busca de algo, como um caçador em busca de sua presa, por exemplo, precisamos usar um neurotransmissor chamado noradrenalina – que, na verdade, deveria ser usado apenas em estados de “luta ou fuga”, como em provas, acidentes e algumas situações de risco ou atenção demasiada. Mas, como entramos nesse sistema de multitarefas, a noradrenalina fica acionada o tempo todo… E o estado de alerta toma conta de dias inteiros.

Ficamos “turbinados” de noradrenalina e viciados nela – o que nos deixa muito mais agitados. Já reparou que, vez ou outra, “apagamos” sem querer ou recorremos às bebidas e outras drogas em busca de um momento mais “relax”? Isso acontece porque não obedecemos nosso próprio corpo.

O que o nosso corpo tem nos mostrado? Sintomas para nos fazer parar: stress, mau humor e ataques de ansiedade que, aliás, podem facilmente nos tirar da linha de batalha.

Então, o que precisamos? Descanso, pausa, respiração, meditação, yoga – práticas que nos ajudam a desativar a noradrenalina e produzir a ocitocina, o hormônio do amor  – capaz de nos deixar mais tranquilos e felizes.